Quem você pensa que é?

Quem você pensa que é?

Com quem você pensa que está falando?

Perguntas esquisitas, arrogantes e desnecessárias, que talvez eu, você, nós enquanto sociedade proferimos e/ou ouvimos em vários momentos dessa jornada chamada vida.

Isso acontece no Brasil, isso acontece em Londres, isso acontece onde tem gente, onde te seres humanos que se deixam levar pela vaidade e arrogância, por se julgarem melhores do que os outros, seja pelo o que eles têm, seja pela cor que são (racistas são especialistas nisso), seja por aquilo que eles não são, mas queriam ser e muitas vezes se colocam nessa posição: deuses.

Claro que uns são julgados e ofendidos com mais frequência, principalmente quando observados o quesito social e cor. Há uma estrutura por trás disso tudo e precisamos constantemente rever e denunciar isso.

Mateus foi um que vivenciou essa soberba nessa primeira semana de agosto/2020 no Brasil. E talvez ele tenha vivenciado situações semelhantes em outros dias, simplesmente por ser motoboy, preto, por talvez não ter os mesmos bens como os daquele mentecapto senhor, mas que com certeza ele é muito mais do que aquele que o feriu.

SER e não TER.

SER trabalhador, SER preto, SER humilde, SER guerreiro, SER resistência, SER favelado, SER quem você é e nem por isso se colocar acima ou abaixo do outro.

Quanto ao pacóvio, infelizmente, sabemos que agora ele tem registro na polícia, é provado o racismo pelo vídeo, além da arrogância e humilhação enquanto Mateus trabalhava, mas que a justiça tarda em resolver tais situações, principalmente quando envolve o branco, afinal são tantas burocracias e questões impostas, se é injúria racial ou racismo, se é “primeira passagem” ou não, além de um sistema prisional seletivo e estruturado, em que está cheio de pretos e poucos brancos e de colarinho.

Mas como disse acima, apesar do grau latente de casos no Brasil, isso também acontece nos outros lugares do mundo, principalmente quando as desigualdades sociais são mais elevadas e onde as penalidades relacionadas a racismo são mais brandas e/ou inexistentes na prática.

“Com quem você pensa que está falando para me exigir a colocar uma máscara em época de Covid-19?” (por um desembargador no Brasil, mas tem acontecido mundo todo).

“Cidadão não. Engenheira civil. Melhor do que você.” (aconteceu no Brasil)

“Você nunca vai ter o que tenho.” (Mateus ouviu ainda nesta semana no Brasil).

Esther Twenefour, preta, esteticista em Londres, recebia a metade de seus colegas brancos na mesma função, simplesmente porque a cor a colocava como menor do que os outros. (Aconteceu em Londres, acontece no mundo todo).

“Minha filha e minha mãe choravam quase todo dia”, contou Mélina ao jornal local La Gazette de Montpellier. Ao tentar conversar com a proprietária, a enfermeira ouviu uma frase horrível. Ela me disse que “não ligava se eu morresse a partir do momento que não fosse na casa dela”, relatou. (aconteceu na França).

Esses casos, essas histórias sem pé nem cabeça, são muito comuns, muito mais do que a gente vê nas mídias, daquilo que é gravado e registrado.

Bullshit. Um monte de merda. Desculpem o termo. Mas é para indignar-se com tanta besteira que os seres humanos são capazes de falar e fazer com os outros e ainda gratuitamente.

Quem você pensa que é, Mateus? Você é grande, é honesto, é trabalhador, é alguém e não precisa ter para ser e sua cor só é motivo de orgulho e beleza. Além do mais, que paciência!

Fica a minha admiração aos que são e não julgam os outros pelo o que são ou tem!

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