80 tiros dói em você?

Cara… São 80 tiros de fuzil. Um inocente. Uma família. Uma ida a um chá de bebê adiada. Uma troca de eventos, em que em um comemora-se a futura vinda de uma vida e no outro um dolorido adeus. Um domingo. Uma tarde. Rio de Janeiro. Tiros acertados pelas costas. Um Estado que segue falhando.

Confundiram? Um engano? Há justificativa em seguir pelo achômetro? Será que eram idênticas as placas do carro dito roubado e daquele que levava Evaldo e sua família, dentre elas duas crianças, sim! DUAS CRIANÇAS. O que os fez pensar que aquela família era de bandidos? Pense.

Um INOCENTE que teve sua vida ceifada pelo Estado que deveria trazer proteção.

E outra… Ainda que fosse um carro roubado, há justificativa para 80 tiros? É dessa forma que a justiça brasileira deve agir? Literalmente, é clima de guerra? Quando isso vai parar?

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Por Ulisses

Sem desculpas e justificativas. Não é nem devido fazer comparações entre o que a polícia faz de bom ou de mal. O Estado falhou. Esse fato é fato. E a justiça será feita?

“Nosso Estado é genocida e a gente precisa fazer alguma coisa em respeito a isso” Emicida

Se ainda não entendeu, talvez seja ideal trocar os papeis, experimentar a empatia, colocar-se no lugar do outro… E se você fosse o Evaldo? Ou sua esposa que clamava por socorro enquanto sofria deboche dos próprios criminosos? Ou do filho de 7 anos que pede pelo pai mesmo após o barulho dos 80 tiros?

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Evaldo, esposa e filho.

Acorda, Brasil!

Os alvos são sempre os mesmos. Os “enganos” seguem atingindo os mesmos. A justiça segue tapando o sol com a peneira. Cadê o Estado que luta pela família de bem? Aí temos uma, agora incompleta.

Carta branca para matar??? Sério? Na dúvida, atira?

Sensacionalismo? Não… Apenas HUMANIDADE e lutar para que justiça seja feita.

#oitentatiros #vidasnegrasimportam #humanidade #justiça #Estadofalhou #segurança

 

 

Nelson Mandela: exemplo de líder

Hoje, 18/07/2018, é celebrado o centenário de Nelson Mandela, um dos maiores líderes do século XX.

O célebre sul-africano Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em 18/07/1918, em Transkei, comunidade pobre da região central da África do Sul. Filho único de Henry Mgadla Mandela e Noseki Fanny, integrava uma antiga família aristocrata da casa real de Thembu.

Seu pai era chefe da vila Mvezo, da nação russa, mas perdeu o posto por enfrentar o juiz da colônia num caso envolvendo gado. Com isso tornou-se fazendeiro, perdendo a posição social, a chefia e os bens. Quando Mandela completou 9 anos, seu pai veio à óbito. Foi aí que sua mãe se viu obrigada a deixar seu único filho aos cuidados de outrem. O rei da vila de Mqhekezveni assumiu Mandela, já que tinha condições de zelar pela sua vida e sua educação. Foi aí que a vida de Nelson Mandela deu uma reviravolta. Foi educado na cultura real, preparando-se por uma futura liderança.

Anos depois, seguiu para a Universidade de Fort Hare, a única que aceitava alunos negros, local onde estudou várias disciplinas, dentre elas o Direito. Era nessa Universidade que a elite negra estudava e sonhava com um mundo melhor. O problema é que Mandela questionou a péssima alimentação da universidade e acabou sendo expulso.

Buscando novos rumos, após a irritação do rei, seu responsável, Mandela se colocou no mundo, indo para Joanesburgo, a maior cidade da África do Sul. Para se manter, Nelson arrumou um emprego em uma mina de ouro e descobriu o tratamento imoral, a discriminação e a exploração, local onde somente os brancos (20% da população) estavam colhendo os benefícios. Muitos deles, inclusive, prestes a iniciar a 2ª Guerra Mundial, estavam dispostos a apoiar Hitler.

Logo Mandela conseguiu um estágio como advogado, fazendo seu primeiro amigo branco: “Nosso chefe deu a primeira oportunidade a um negro, algo muito raro em 1942”, afirma Nat Bregman, no documentário Mandela: O homem por de trás da lenda.

Já voltando-se a política, Mandela acreditava que o Congresso Nacional Africano (CNA) não dava a devida atenção aos negros, por isso fundou a Liga da Juventude do CNA, movimento radical enraizado nos valores culturais africanos, sua primeira experiência como ativista político.

Quebrando o silêncio do CNA, Mandela lançou uma Campanha de Protesto Nacional, aberta a todos que eram contra o regime. Mais do que visar uma cultura africanista, Mandela ampliou para uma atitude anti-racista. Foi o início do slogan: A África do Sul pertence a todos que nela vivem.

A desobediência civil foi um dos métodos defendidos, levando à resistência pacífica, considerando a visão de Gandhi.

Mandela lançou o primeiro escritório negro de Joanesburgo, desafiando, inclusive, o tribunal da cidade, onde todos os juízes eram brancos. Novas leis foram votadas, o que dividiu a sociedade africana em raças e as segregou. Cabe aqui lembrar que os negros esquecidos, deixados de lado e explorados passariam, agora, a incomodar por quererem ir além.

Mandela, então, edita uma carta de liberdade, defendendo um novo regime democrático e multirracial com poder para a população. O partido comunista clandestino apoiou tal carta, o que durante a Guerra Fria, foi o suficiente para o governo prender todos os líderes da oposição, inclusive a prisão de Mandela. Ser oposição ao sistema existente até então era sinônimo de Golpe. O julgamento desses presos demorou um bom tempo, mas depois todos foram liberados.

Mandela conheceu e logo se casou com a assistente social Winnie Mandela, com quem teve 2 filhos, e que ficou conhecida como a mãe da nação.

Um novo racismo, agora institucionalizado, surge em 1958, com a eleição do ministro Hendrik Verwoerd: o famoso Apartheid. Hendrik preferia chamar tal plano como a política da boa vizinhança. Com isso, os negros deveriam andar constantemente com um “passe” para que pudessem andar por onde quisessem. Isso gerou violência generalizada, n protestos e o CNA foi banido.

De modo clandestino, Mandela concedeu uma entrevista a um jornalista britânico, em que afirmou: “Os africanos exigem e querem o direito de um homem, um voto e independência política. […] Há espaço suficiente para todas as raças nesse país.”.

Durante a Guerra Fria, Mandela buscou apoio fora da África. Enquanto os brancos eram apoiados pelo o Ocidente, Mandela e os africanos buscavam apoio com os países de regime socialista Cuba e a União Soviética.

Quando retornou à África, foi preso sob acusação de incitação ao crime e por viajar para fora do país sem passaporte. Mandela, com vestimentas africanas, se apresentou ao tribunal, optando por representar a si próprio, ser seu próprio orador… Um negro contra muitos brancos. Mandela foi setenciado por 5 anos. Mas não foram apenas 5 anos como tudo indicava no início.

Em sequência, os clandestinos do movimento foram presos e novas provas de envolvimento de Mandela foram encontradas. A ditadura não gostou, pois afirmava ser um golpe de Mandela e seus companheiros do CNA contra o Estado. Durante o período de julgamento, 8 meses, acreditavam que agora o silenciariam. MAS ISSO NÃO ACONTECEU… Mandela se tornou uma lenda.

Mandela foi um dos mais importantes agentes políticos contra o processo de discriminação instaurado pelo Apartheid, na África do Sul, sistema político-racial resultado da ideologia de colonizadores britânicos e holandeses, em que brancos, apesar de minoria, eram colocados acima de todos, negros, índios, mestiços ou pessoas “de cor”. Isso durou aproximadamente 300 anos.

Para alcançar essa vitória, Mandela pagou um alto preço: foi preso por 27 anos, liberado apenas em Fevereiro de 1990, aos 71 anos.

Mandela tornou-se um ícone internacional em defesa das causas humanitárias.

Tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul, depois de tantas tentativas e iniciativas de uma guerra civil, mas que ele manteve-se firme com o lema da paz e eliminando o terrível plano Apartheid.

Aqui menciono apenas parte dessa grande história desse grande líder. É sempre inspirador ver aqueles que lutaram contra a resistência de alguns e ainda mais essa resistência tão “sem pé, nem cabeça” e ainda com paz! Vencer o mal com paz!

Esperança contra a resignação! Esse era um lema para o chefe de Estado, Nelson Mandela.

 

Eu tenho sustentado o ideal de uma sociedade livre e democrática, em que todas as pessoas vivam juntas, em harmonia e com as mesmas oportunidades. É um ideal pelo qual estou preparado para morrer. (Nelson Mandela, em seu julgamento para a sentença final)

 

Fonte: Texto baseado no documentário Mandela: O homem por de trás da lenda.