Vida de imigrante

Seguindo a sugestão da leitora, Renata Bastian, resolvi fazer esse post sobre vida de imigrante. Confesso que ainda sou novata na área, mas as experiências já são várias! Haha!

Assim como para todas as áreas da vida, para tudo há os dois lados da moeda.

É muito ruim estar distante de pessoas que amamos, mas, por outro lado, viver longe dessas pessoas, faz com que tal momento seja uma espécie de autoconhecimento. É um momento que você aprender a desafiar-se, a conhecer alguns outros limites, a obter novos relacionamentos, a valorizar mais as pessoas e as relações que possui, a desenvolver suas habilidades sociáveis…

Ao mesmo tempo, há também aquele próximo (às vezes até único) na nova terra, feito cá, ou até que “veio na bagagem”, que se torna seu grande parceiro (a), aquele que te ajuda a levantar quando a situação complica…  aquele que te estimula a desenvolver a paciência e o amor, porque às vezes só vocês “estão no barco” e precisam se ajudar.

Ser imigrante é por vezes se sentir bem recebido em terra estranha, mas às vezes totalmente “fora da casinha”, afinal, além do fator “pessoa”, mencionado anteriormente, há muitos outros obstáculos….

A língua! Chega arrepia (risos)! Como é difícil querer se comunicar, se expressar, demonstrar seus dons e façanhas sem poder, porque não domina o idioma! Conselho lógico, é claro: Se deseja um dia morar fora do seu país, estude a língua enquanto pode. Ainda assim, haverá um processo de adaptação, mas que será amenizado se maior conhecimento tiver da linguagem. Por outro lado, como é bom ver os pequenos avanços! Se você ainda está “penando”, confie que chegaremos lá!

Outro fator advindo da mudança é lidar com os costumes diversos. Óbvio que há também muitas diferenças para melhor, mas o início da mudança, o adaptar-se, também, é um novo desafio. Prepare-se e, o mais importante, respeite essas mudanças e os costumes. Você é o estrangeiro. Não custa tentar! Aos poucos, você vai incluindo uns gostos pessoais, hahaha, mas sempre com respeito, please! Evite, por exemplo, manter-se estático no lado esquerdo da escada rolante (fique à direita, se está sem pressa); na Itália, por exemplo, não fique pedindo catchup, maionese e mostarda para as pizzas (provavelmente, eles não terão e vão querer infartar! kkkk); como em qualquer lugar do mundo, não jogue lixo nas ruas (em alguns lugares, a punição é bem severa! E independente de punição, trata-se de educação!); não tente o jeitinho brasileiro (é comum nós brasileiros estranharmos a fiscalização, por exemplo, quanto à validação dos bilhetes de trens, ônibus e etc., afinal muito mais que fiscalizar, eles sabem muito bem o que é ou não devido); dentre outros exemplos…

Já que falei em maionese, comidas é outra pauta. Não pense que o arroz com feijão tem em todo lugar. Até pode ter, mas talvez não com tanta facilidade. Então é preciso compreender que a alimentação também muda, por vezes, para melhor (agora até como Toblerone direto! kkkkk!). Brincadeiras à parte, é bom ser mais suscetível a mudar. Caso contrário, prepare-se para gastar mais, talvez emagrecer, ou investir em outras bobagens alimentícias.

Outro fato a destacar é que a maioria das vezes, quando se muda para outro país, o imigrante, ainda que tenha uma profissão em seu país de origem, tende a provar uma nova área, afinal está começando (é necessário, em alguns casos, validação de diploma, domínio da língua, encaixar ao perfil da vaga, dentre outros fatores que o impedem de atuar na área de costume). Sendo assim, aqui há um novo challenge! E muitas vezes, que desafio! Fazer tarefas que talvez nunca pensou fazer em seu país, físico em vez de mental, por exemplo, e ainda aliado às dificuldades de comunicação e de adaptação à nova vida. Por outro lado, esse grande desafio te ensina muitas outras coisas, dentre elas como valorizar qualquer profissão (e essa valorização não é da “boca para fora”!), além de talvez descobrir uma nova habilidade e/ou profissão. Quem já vivenciou isso, sabe muito bem o que estou falando.

Morar fora é também compreender na prática a necessidade de conviver bem com o diferente. Quando digo diferente, me refiro àquele que é diferente de você seja por cultura, religião, costume, etc. Lógico que isso pode ser vivenciado em seu próprio país, mas em alguns lugares isso pode ser intensificado. Em Londres, por exemplo, significa viver com o inglês, com o brasileiro, com o árabe, com o africano, com o chinês, com o espanhol, com o branco, com o preto, com o amarelo, com o jovem, com o idoso, com o católico, com o “crente”, com o muçulmano, com o budista, com o homossexual, com o transexual, com o drogado, com o bêbado, com o calmo, com o agitado… enfim! A lista não tem fim! Respeitar é a palavra chave. Por vezes, será até aquele momento de dividir uma casa com pessoas desconhecidas, de outras nacionalidades, de outras culturas e costumes.

Outra coisa, talvez um tanto particular, mas que para mim foi e é intenso, é a evolução espiritual! Sempre acreditei em Deus, que estava no controle de todas as coisas. E estava, está e sei que continuará estando. Para mim, compreender que Deus faz acontecer e Ele cuida de tudo tem sido um dos meus alicerces para continuar. E como fica mais fácil seguir a caminhada com Ele. Sou super grata a Deus por tudo o que Ele é e faz!

Ser imigrante pode ser uma experiência para ampliar horizontes… Amadurecer… Além das várias dores de barriga, micos e trapalhadas (como fazer gestos indevidos no novo lugar em que vive; explicar com palavras soltas, de várias formas, de modo a alcançar o que quer; falar, to speak, hablar, parlare kkkkk!)… É! É o ter que se virar. Ou cresce, ou cresce.

Ser imigrante é também valorizar o que sua terrinha tem, saudar aquilo que agora não te pertence mais (temporário ou não).

Ser imigrante é também ver na prática o que tanto falaram sobre o lugar X ou Y que você tanto ouviu, com visões positivas ou não, mas que agora você se torna capaz de mensurar e descrever melhor, afinal você vivencia, não apenas deslumbra!

Ser imigrante é não ser apenas turista.

Para mim, tem sido uma das experiências mais ousadas da minha vida, com n obstáculos, apesar de alguns dizerem “Nem vem com essa! Você mora na Europa!”, “Nossa! Você está no céu!”, “Não reclame, porque estamos bem piores!”, dentre tantas outras. Para mim, a vida de imigrante não é um mar de rosas como alguns pensam, nem de espinhos com alguns reclamam! Para mim, é um mar de aprendizado, em que alguns aceitam adentrar e alguns conseguem superar com apreço. Eu estou tentando e seguindo aprendendo (desculpem meus gerúndios… rs).

E você? Já foi imigrante alguma vez? Como foi sua experiência?

E você que não foi, pretende?

Aqui foi apenas a minha visão. Conte-me sobre você.

 

 

 

Lívia Toso: imigrante determinada e persistente

Lívia Toso, 28 anos, casada, brasileira, nascida em Baixo Guandu, Espírito Santo, sempre teve o sonho de morar na Inglaterra: “O Brasil é um país com um potencial enorme para dar ao povo uma qualidade de vida incomparável, mas que infelizmente está nas mãos erradas (e eu não vejo opções de mãos certas por enquanto). É o país onde cresci e onde minha família e meus amigos moram, que sempre terá um lugar muito especial no meu coração e pelo qual eu torço muito para que melhore! Já a Inglaterra é onde eu sempre sonhei morar, é o país com o qual eu mais me identifico culturalmente. […] minha paixão pela Inglaterra começou pelo cinema, especificamente, com Harry Potter, além das músicas de Beatles, The Who, Rolling Stones…”

Então, um dia, Lívia resolveu correr atrás desse sonho…

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De modo a conseguir atingir seu objetivo, Lívia optou por ir atrás de sua cidadania italiana, já que com ela poderia habitar na Europa legalmente. Esse foi um dos maiores desafios da vida dela: “fazer meu processo de cidadania italiana sozinha, sem ajuda de nenhum assessor, foi um desafio incrível! Primeiro, correr atrás de todos os documentos… e depois mudar para um país em que não falava o idioma e ter que lidar com questões difíceis, como alugar casa e outras burocracias do processo” – conta Lívia.

Lívia se define como uma pessoa muito persistente e determinada e tem levado consigo a frase do filme de Coraline: “quando você tem medo e faz mesmo assim, isso é coragem” (Coraline e o Mundo Secreto). Mas ela confessa que não foi sempre assim…

Em alguns momentos de sua vida, Lívia se deparou com fases de extrema zona de conforto, como ela mesmo confessa, principalmente, após os 5 anos seguintes do término de sua Faculdade de Relações Internacionais, curso do qual não se identificou: “Após me formar, precisando pagar as contas, comecei a trabalhar como agente de viagem e depois como agente de atendimento ao cliente em uma loja de vinhos muito conceituada no Brasil. Trabalhei nesses empregos por 4 anos, sabendo que não era o que eu queria fazer da minha vida, mas meio que sem saber para onde ir e com medo de tentar qualquer outra coisa nova”.

Para sair desse status, a estratégia utilizada por ela foi bastante simples: “Coloquei os meus planos e sonhos no papel. Escrevi onde queria chegar e descrevi cada passo para que fosse possível alcançar os objetivos. Uma vez que você coloca os planos no papel, fica mais fácil organizar as ideias e ir completando cada passo até conseguir o que deseja” – descreve.

Esse momento de reconhecer em qual degrau estava, fez com que Lívia mudasse os rumos de sua história, correndo atrás de seu sonho inicial.

Atualmente, já vivendo na Inglaterra, Lívia é recepcionista em uma empresa que aluga apartamentos para turistas em Londres, sendo a responsável por todo o processo de check-in dos clientes: “Lido com pessoas de diferentes backgrounds todos os dias… pessoas de qualquer lugar do mundo, de todas as religiões, raças e culturas. No meu tempo livre, tento administrar minha paixão por maquiagem!” – explica Toso.

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Ela está adorando viver em Londres, mas confessa que há altos e baixos: “A distância da família e dos amigos pra mim é a pior parte, na verdade, é a única parte realmente ruim. Em questão de emprego, adaptação, etc, a gente vai dando um jeito de pouco a pouco. O que é realmente pesado é não ter onde se apoiar caso algo aconteça.. É o sentimento de estar realmente sozinho, não no sentido de solidão, mas sim de ter que se virar sozinho mesmo, apesar do meu companheiro que me ajuda muito. No mais, acho que me adaptei facilmente.”.

Lívia Toso tem, também, um canal no Youtube (Lívia Toso), página no Facebook (Lívia Toso) e Instagram (Lívia Toso) espaços em que concede dicas de make-up, conta um pouco sobre a vida na Itália e cidadania e também sobre viver em Londres, além de suas viagens pela Europa.

Continuando com seus sonhos, Toso já tem uma nova meta: tornar-se maquiadora profissional no mercado do cinema e da televisão britânico: “tenho praticado bastante para ganhar mais habilidade na área, além de tentar ampliar meu nicho de pessoas que trabalham na área, a fim de estabelecer conexões para novos jobs!”.

Lívia acredita e persistirá: “Como afirma Sylvester Stallone, no filme Rocky VI: “Não é sobre quantas vezes você bate, mas sim quantas vezes você aguenta apanhar e continuar seguindo.”” – conclui Lívia.

Com essa persistência e determinação, Livia inspira e chegará lá! Ficamos na torcida!

Por falar em inspirar, Lívia se inspira em Leonardo DiCaprio com seu trabalho em prol do meio ambiente, principalmente, por ser alguém da fama e que usa essa fama para instruir toda uma população sobre seus hábitos e efeitos.

Como aponta Lívia, todos na sociedade têm seu papel e suas causas que podem mover o mundo: “Como diria Michael Jackson, I’m starting with the man in the mirror. Nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo, tratar os outros como gostaríamos que nos tratassem. Em vez de apontarmos tanto para as falhas dos outros, podíamos começar a tentar a ver mais o que poderíamos mudar em nós mesmos. Cada pessoa vai se identificar com uma causa e se cada um de nós se adaptar um pouquinho à causa do outro, o mundo seria muito melhor para se viver”. E é em seu dia-a-dia que Lívia tenta ser melhor, avançando na vida e, acima de tudo, com respeito ao próximo e ao mundo em que vive.