“O choro é livre!” e a democracia também

Na noite de ontem, dia 28 de Outubro de 2018, foi eleito Jair Bolsonaro ao cargo de Presidente da República do Brasil, com 55,13%, equivalente a 57.797.073 votos, contra 44,87% de Haddad (47.039.291 votos), 11.094.603 votos nulos e brancos (por sinal, um recorde histórico nas eleições no Brasil) e mais de 30 milhões de abstenções.

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Fonte: G1 (http://especiais.g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/mapa-da-apuracao-no-brasil-presidente/2-turno/)

Observando 1º e 2º turno, Bolsonaro somou apenas um pouco mais de 8,5 milhões de eleitores favoráveis a sua candidatura quando comparados os dois turnos – possivelmente, estes, sim, os anti-petistas, além daqueles que optaram por branco ou nulo. Ou seja, quase 50 milhões de eleitores dele já o queriam desde o primeiro turno, considerando que ainda existiam mais 12 opções de candidatos. Quase 50 milhões o escolheram desde o início da corrida eleitoral.

Para mim, que nunca fiz questão de esconder, tal resultado significa angústia, tristeza, incerteza, medo…

Ainda ontem, após o resultado, como muitos postaram em suas redes sociais em ritmo de festa “o choro é livre”, bem como saíram às ruas para comemorar sob essa expressão, infelizmente, coloco que, para mim, não há motivos de comemoração.

Quando já anunciado o segundo turno entre “os mesmos dos mesmos”, já estava nítido que independente do resultado, ao menos metade da população ficaria descontente com o resultado, fosse Haddad eleito, ou Bolsonaro. Acima disso, a sociedade brasileira já dava indícios de que as diferenças e a intolerância se intensificavam e as eleições seriam apenas o começo de uma nova “treta” social (basta ver as vítimas de ambos lados).

Ah, como eu queria estar otimista como muitos afirmam que “acabou a corrupção” (apesar de ser uma carga de séculos enraizada no Brasil, independentemente de ideologia e/ou partido…).

Ah, como eu queria levar a política “de boa”, “na zoeira”, como muitos têm levado…

Ah, como eu queria que o tempo passasse e me mostrasse que eu estava enganada, errada, angustiada à toa… (Realmente, espero!).

Digo tudo isso, porque independentemente de futuro, não será possível apagar um passado em que mais de 50 milhões de pessoas elegeram um homem que, pelo menos naquele momento de eleição em 2018, demonstrava-se sem senso crítico, sem histórico político eficaz e carregado de um discurso de ódio aos opositores e às minorias, sob autoritarismo e sem estabelecimento de diálogo (nem ao menos participação em debates). E ainda, denominado “mito”.

Independentemente de futuro, muitos amigos, familiares, pessoas próximas, mostraram-se avessas ao diálogo, intolerantes com os diferentes, moralistas com os outros e pouco se importaram com as pessoas e suas ideias. Uns em defesa do candidato, uns porque se assemelharam a ele. Como disse em outro post, vaso quebrado, quando colado, nunca mais volta a ser o mesmo, afinal falamos de relações e em relações saudáveis, o respeito e o ouvir são imprescindíveis.

Mas apesar dos pesares, como coloquei anteriormente, espero mesmo estar errada. Espero mesmo que os freios da intolerância funcionem e parem com esse mal que parece apenas crescer. Espero que aqueles que já sofrem não sofram ainda mais e, que acima de tudo, continuem sendo resistência contra o sistema e encontre em outros o apoio para isso também. Espero que eleitores de A ou de B compreendam que a paz, o amor e o respeito são essenciais para que a sociedade continue em progresso (muito além de progresso financeiro… humanitário mesmo!). Espero que a sociedade brasileira e os governantes se voltem para a base e olhem para aqueles que há dezenas de anos não tem obtido nem se quer o básico para viver. Espero que desapareçam as miras nas cabeças daqueles que ciclicamente na história seguem padecendo. Espero que as pessoas olhem menos para seus próprios umbigos e exerçam o “amar o próximo como a ti mesmo”. Espero que mais que caridade, sobressaia-se a justiça social.

Que como nos últimos dias a política seja rotina na vida dos brasileiros para que não deixem passar em branco as mazelas daqueles que estão no poder.

Aos meus amigos que estão angustiados, lembrem-se: nenhuma folha cai sem a permissão de Deus! Que Ele os fortaleça e que vocês continuem sendo resistência e olhando para os lados por aqueles que necessitam, fazendo a diferença!

Que sabedoria não falte a todos os governantes e cidadãos.

Que venha um bom governo, um governo para todos!

Acima de tudo, paz, amor e respeito entre os diferentes.

Viva a democracia! Que ela permaneça inabalável com a resistência de toda a população ao que vir contrário a ela.
#democracia #respeito #amor #paz

“Viver pelos outros, viver em todos e em cada um, como sentimos os nossos semelhantes viver em nós mesmos, eis o verdadeiro destino do homem.”

Benjamin Constant

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