O dia que saí de casa…

Há exato 1 ano atrás, dei mais um passo a um novo começo.

No dia 23 de setembro de 2017, saía eu de Cambé-PR, rumo a um sonho chamado cidadania italiana e a possibilidade de vivenciar novas experiências em outros países.

Depois de uns dias tensos em que meu cachorro tinha sido operado porque um pit bull o havia atacado e eu tinha passado por uma reciclagem de CNH devido a um engano, era chegado o dia. Lembro-me que a caminho da rodoviária de Londrina, com destino a São Paulo-SP para pegar meu vôo, as mãos suavam só de pensar que estava indo embora sem saber quando voltar; sem saber quando reveria meus familiares e amigos; sem saber se todo o processo de cidadania daria certo; sem saber se eu me viraria bem com o meu italiano de 3 semanas a ponto de fazer todo o processo sozinha, desde aluguel; sem saber como seria na imigração apesar de estar toda correta (passaporte, passagem de volta, seguro viagem/saúde, dinheiro declarado, documentos para cidadania etc.); sem saber quando o Carlos, meu esposo, seguiria ao meu encontro; sem saber como seria o novo… Sem saber de nada, mas com a certeza de que em todo o momento, o Senhor era comigo e não me desampararia.

Olho para os montes e pergunto: “De onde virá o meu socorro?” O meu socorro vem do Senhor Deus, que fez o céu e a terra. Ele, o seu protetor, está sempre alerta e não deixará que você caia. O protetor do povo de Israel nunca dorme, nem cochila. O Senhor guardará você; ele está sempre ao seu lado para protegê-lo. O sol não lhe fará mal de dia, nem a lua, de noite. O Senhor guardará você de todo perigo; ele protegerá a sua vida. Ele o guardará quando você for e quando voltar, agora e sempre.

Salmos 121:1‭-‬8 NTLH

E lá fui eu…

Mesmo com meus medos e ansiedades, segui…

Foram 7 horas de ônibus, Londrina a Barra Funda, São Paulo… 1 táxi a Guarulhos (mais uma meia horinha)… algumas horas de caminhada de um piso ao outro do enorme aeroporto de Guarulhos (por um erro na passagem) até a sala de espera para decolagem… um pouco mais de 2 horas para o Rio de Janeiro (conexão)… mais um tempinho aguardando e verificando passaporte no Rio… um pouco mais de 11 horas para chegar na linda Itália, especificamente em Roma, primeira parada em terra estranha e se deparar com a imigração.

A caminho da fila, passando pelo quase shopping do aeroporto Fiumicino, deparo-me com a fila para o carimbo no passaporte, primeiro passo da cidadania na Itália. Um pouco mais que 50 pessoas a minha frente, é chegada a minha vez no guichê. Passaporte em mãos e outros documentos facilmente em vista, caso solicitassem, considerando que poderiam ser solicitadas maiores informações e/ou documentos sobre mim, sobre situação financeira, real motivação para a viagem, previsão de acomodações durante a estadia, posse de um seguro de saúde válido e o efetivo período de permanência.

E não é que pediram? Mantive-me calma, afinal estava tudo correto. Mesmo assim, fui convidada a dar umas voltas nas salinhas da imigração. Ali foram aproximadamente 5 horas, a ponto de perder meu vôo da conexão para Veneza. 5 tensas horas, sem contato com ninguém (apenas a caminho das salinhas tinha conseguido mandar uma única mensagem ao Carlos com os seguintes dizeres: “Caí na imigração! Estou indo para uma outra sala!”)… Passei por mais de 5 entrevistas que graças a Deus, ao professor Sergio do Corso Italia, escola de Londrina, onde estudei as 3 semanas e às horas de estudo consegui sobreviver. Até me foi solicitada a ajuda de um dos agentes da imigração para que eu ajudasse como tradutora de outro brasileiro, na mesma situação que eu. Fomos até vistos como comparsas, sendo que nem sabia quem era o Felipe. Rs… Abrindo um parênteses, a imigração quase ligou para minha amiga Miriam, professora de uma escola de Londrina, em plena 3 horas da manhã no Brasil, já que o outro brasileiro parado na imigração tinha falado a eles que sua assessora era uma Miriam. Um dos italianos dizia: “Aqui! Aqui! Encontrei a Miriam!”.

“Ganhada” a nova passagem para Veneza, há apenas 30 minutos faltantes para a decolagem, atravessei correndo todo o aeroporto de Roma com minha mala de mão e toda a documentação desorganizada (já que haviam retido para verificação, até das minhas lindas e caras certidões e suas respectivas traduções). Uma fila “desorganizada” com mais de 200 pessoas na minha frente para passar pela esteira detectora de metais. Pequei. Cortei aquele amontoado de gente e corri mais um pouco até encontrar o portão para decolagem. Quase encerrando o tempo para entrada no avião, consegui! Graças a Deus! Ali consegui avisar ao Carlos que estava tudo bem!

Sentei naquele último banco do avião, um tanto atônita com o que havia passado. Passou! Ufa! Pelo menos essa fase passou! Estava legalmente em terra estrangeira! Um pouco mais de 1 hora, eu chegava em Veneza à caça por um hotel para aquele dia, já que não daria mais tempo de seguir para Schio naquele dia e o cansaço tinha batido.

Que banho bom tomei naquela banheira! kkkk… estava precisando.

Dia seguinte, já em Schio (Vicenza), fui ao encontro de Matteo, da imobiliária, o italiano mais educado do mundo . Com as dificuldades com a comunicação, através de Matteo, Deus me mandou um anjo chamada Liberaci , uma brasileira, que me ajudou a fechar a negociação (até me levou para a casa dela para me emprestar roupa de cama e utensílios, já que minha futura casa nada tinha), após eu já ter visto o apartamento com ele.

Através de Liberaci, conheci um outro anjo, chamado Kamila , que também muito me ajudou, até me convidando para comer uma deliciosa lasagna em sua casa com sua família.

Através delas, conheci mais outros anjos que ajudaram na leveza dos dias e com tantas outras trocas por convivência, inclusive com informações, ainda que por mensagens por redes sociais: Lorena e sua mãe e a outra Kamilla, a Cogo, talvez prima do Carlos. A verificar… rs.

Deus cuidando sempre em todos os detalhes.

Iniciei o processo de cidadania, razoavelmente, bastante tranquilo (naquela época, a comuna ainda era boa! Rs…). Agendamento de entrada de residência na mesma semana que cheguei, análise da documentação ok, vigile passou em menos de 1 semana, NR enviada com sucesso e dias depois da chegada do vigile. Ao todo, de quando fiz minha entrada, foram 50 dias (faltando apenas o passaporte europeu, que também ficou pronto rapidamente… em 10 dias!). Tudo super rápido, por sinal. Graças a Deus por isso!

No dia que assinei o livro como cidadã italiana, Carlos já estava comigo há 2 dias! Era hora de comemorar e agradecer!

Durante meu processo, outras pessoas também especiais surgiram no meu caminho, tanto para me ajudar, quando para eu ajudar… Conheci Fábio e Luana, dois norte paranaenses (um de Londrina e outra de Cambé). Conhecer em outro canto do mundo quem era da sua cidade e proximidade foi um tanto engraçado! Hahaha! Através deles, conheci seus vizinhos, Luísa e Daniel, sulistas do Brasil, que também estavam perdidos por aquelas bandas há uns meses atrás (até me apaixonei pelas gatas deles! E olha que eu tinha medo de gatos!), e, também, a mãe da Luana, nossa mãe em Schio, D. Tatá (não posso esquecer do turista Zézinho que por lá também passou!).

Iniciei meu curso de italiano, outro presente gratuito de Deus em Schio, onde conheci mais gente bacana, como a Gabi, a Aline e a Marina.

Novamente, vi a bondade de Deus para comigo.

Foram 5 lindos meses em Schio, onde vivenciei meu processo de cidadania, o do Carlos, o do Felipe cunhado (que chegou dias depois do Carlos), o da Luana, o do Fabio, o da Tatá… Todos muito ansiosos pelo momento de deter o “vermelhinho”. Preenchíamos a espera com boas risadas, vinho e queijo e mais muita comilança.

Foi quando ganhei mais um quilinhos, além dos já excedidos pré-viagem! Hahaha!

Foi também um período de conhecer lindos lugares, aprender um pouquinho mais da língua, experimentar a primeira neve e ansiar pelo futuro!

Após esse período, era a hora de definir para onde eu e Carlos iríamos… London foi a cidade escolhida!

Chega de férias! Era hora de trabalhar para retomar a grana investida, dinheiro este conseguido com muito esforço pela venda das roupas nos brechós, pelos móveis desfeitos e pelo suor do dia-a-dia! Hahaha! Não foi muito, mas sabemos que novamente Deus proveu, afinal foram 5 meses de “mamata”, sem entrada de grana e a inexplicável experiência de viver o multiplicar dos pães, além de é claro a força financeira do cunhado Felipe tapando os buracos, até o reembolsarmos!

Porém, para chegar em London, surgiam alguns empecilhos… Seria começar do zero tudo de novo. Não conhecíamos ninguém, nosso inglês era péssimo (atualmente ainda em processo), novas dores de barriga e incertezas!

Foi quando minha amiga Gislaine de Ibiporã-PR indicou uma amiga dela chamada Renata (ainda não a conhecemos… e isso é vergonhoso, eu sei!) para nos dar algumas dicas! Como se não bastassem as dicas, foi ela quem nos falou de uma outra Renata, uma amiga dela, que poderia ceder-nos uma estadia de 3 semanas, enquanto seu marido Vanderson viajava de férias ao Brasil.

Essa Renata, uma doida, como podem ver (hahahah!), nos aceitou na casa dela, ainda que com uma filha de 4 anos, sem o marido em casa. Brinco quando digo que ela é doida. Inexplicavelmente, ela não era dessas, mas se sentiu à vontade para nos fazer esse convite. Eu sei o que foi: novamente, Deus cuidando da gente e fazendo o improvável. Hoje, 3 semanas depois (só que não!), ela, sua filha e seu marido (que não nos queria em casa, né, Sr. Vanderson?!), nos aguentam em sua casa. Até nosso emprego de cleaners (sustento do nosso dia), foram eles que nos ajudaram! De vez em quando, ainda, temos direito a Carrot Cake (raramente! kkk), briga de Hummus, show da cantora Alice e veneno de cobra! Brincadeira! Continuamos aqui, alugando esse quartinho amoroso e “enchendo as pacuias” dessa família que tornou-se mais que especial para nós, assim como todos os outros que passaram neste último “meu ano”.

O processo de adaptação com a língua, os novos ares e o serviço de faxina tem rendido novas experiências, novos contatos e alguns quilinhos a menos: 10kg de quando saí do Brasil. Glória a Deus! Rs…

Este 1 ano é o ano da gratidão. Gratidão a Deus e a todos aqueles que nos apoiam/apoiaram, oram/oraram, ajudam/ajudaram! Foi um ano intenso, mas que fortaleceu ainda mais as saudáveis relações com aqueles que mesmo de longe ainda continuam conosco (foi muito mais fácil ver e selecionar aqueles que realmente impulsionam e torcem pela gente!). Foi um ano da saudade desses familiares e amigos e dogs que tanto amamos! Além disso, foi também um ano de amadurecimento, de reconhecimento de quem somos e de valorização das pequenas coisas da vida. Ano, também, que intensificamos nosso olhar para o outro à nossa volta. Um ano, enfim, que aprendemos a ser gratos em toda e qualquer situação, confiantes e com muita fé nAquele que tudo provê!

Tu és o meu Deus; graças te darei!
Ó meu Deus, eu te exaltarei! Deem graças ao Senhor, porque ele é bom;
o seu amor dura para sempre.

Salmos 118:28-29

 

 

 

 

 

6 comentários em “O dia que saí de casa…

  1. Amiga…você é uma mulher de muita coragem e fé…és uma guerreira e saiba que isso orgulha e motiva muitas mulheres…gratidão por você ser uma inspiração e não desistir de seus ideais, mesmo com tantos obstáculos você continua uma mulher de Deus e levando luz por onde passa…Desejo muito sucesso e prosperidade…que esse segundo ano que se inicia seja formidável e abençoado…feliz por ter conseguido ser uma ponte entre os contatos, quando necessitou …Feliz por conhecer e participar de sua história…Um grande beijo!

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