Bandido tem cara?

Dias atrás, em minha página pessoal do Facebook, fiz uma postagem em cima do vídeo a seguir que muito me intrigou.

Compartilhando da ideia de minha amiga Andresa, fiz o repost com um comentário sobre possível racismo e/ou preconceito pela vestimenta.

Diante disso, alguns se posicionaram a favor do meu posicionamento e outros a favor do personagem com camiseta branca, sob as alegações de que o personagem de moletom azul poderia ser um suspeito por seu comportamento.

Obs.: Não encontrei evidências se o de camiseta branca era mesmo um policial à paisana, como indica o título do vídeo, até porque ele não apresentou o distintivo no momento. Ou seja, pode ser um policial ou um “cidadão de bem”. Mas isso não é tão significativo para minha reflexão… O que coloco a seguir é sobre os comportamentos e nossas visões de mundo.

Após ler os comentários e discutir, no sentido positivo, com alguns, uma pergunta pairou em minha mente e para alguns até questionei: bandido tem cara?

A partir desse questionamento, continuo…

De que tipo de pessoa você desvia nas ruas quando está sozinha? O que elas vestem? Qual o estilo? Quais as marcas que usam (ou deixam de usar)? São de uma raça específica? Que tipos de comportamento a tornam suspeitas? Há uma linguagem específica dos ditos suspeitos? Eles são de uma classe social específica?

Enfim… o que torna uma pessoa suspeita para você?

Caros leitores… Minha intenção não é incriminá-los, mas sim levá-los a enxergar seus próprios comportamentos e pensamentos diante daqueles que estão a sua volta, para quem sabe, você possa ver que está no caminho correto das suas ideias mesmo, ou há um preconceito aí enraizado, talvez inconsciente, ou não…

Afinal, quem é suspeito para você a ponto de te fazer desviar os caminhos, amedrontar-se ou até usar a “legítima” defesa?

Outra coisa que me intrigou, inclusive após eu ainda assistir uma contra-análise ao meu ponto de vista em relação ao vídeo e também quanto aos comentários e situações vivenciadas por aqueles que contra-argumentavam comigo e que um dia já foram vistos como “suspeitos”, foi a seguinte: Por que eu devo compreender a atitude do personagem de branco como devida, principalmente depois dele conferir que o de azul nada portava e mesmo assim continuar em cima dele até sair do estabelecimento, mesmo sem o óculos e sem o capuz (como muitos colocaram como motivo para abordagem)? O rapaz de azul poderia lanchar por ali ou não? Por quê?

Não estou generalizando, mas por que a abordagem de um policial ou de um “cidadão de bem” tem que ser sempre brusca já de cara e/ou ainda continuar brusca mesmo depois de verificar nada suspeito? Por que tenho que agradecer ser tratada como inferior ainda assim depois de nada comprovar-se? Me desculpe, mas para mim alguns abusam do poder. Novamente… não estou generalizando, mas é inevitável não ver isso por parte de uns cidadãos.

E outra… na cena, se o de branco visse o de azul como suspeito mesmo (independente se por ato ou por preconceito mesmo), ele não poderia ter puxado um papo com o cara de azul, considerando o tempo que ali estavam e por meio de inteligência identificar se era ou não um suspeito? Acho que com o tempo da cena, isso seria possível.

Aí você pode me dizer que ele agiu no impulso, por precaução, mas por que o outro era um suspeito? O que leva o de branco a pensar dessa forma? O que leva a você a pensar dessa forma?

Se um dia fosse aprovado, por exemplo, o armamento, quem poderá ser um suspeito a ponto de você apontar uma arma?

Nas ruas, quem você classifica como suspeito?

Não estou dizendo que você deve sair por aí “viajando na maionese”, pensando viver no mundo da fantasia e da não criminalidade, mas você já parou para pensar quem o amedronta? Há ou não um tipo específico?

Espero que você seja sincero consigo mesmo.

Pelo menos para mim, reconhecer meus próprios pensamentos e preconceitos faz eu repensar minhas atitudes.

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