Violência contra a mulher: até quando?

O bem que se pensa e reside na omissão causa muitos estragos e remorsos por permitirem que o mal prolifere sem freio em suas ações.

Monicka Christi

Um problema de esfera grandiosa, a violência contra a mulher parece não ter fim. Tal violência atinge mulheres de todas as classes sociais, etnias e de todas as regiões do Brasil, conforme aponta o site do Senado Federal. Este fenômeno estrutural deve ser compreendido como responsabilidade de toda a sociedade e não como algo de ordem privada, individual, justificando-se, por exemplo, “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Veja o porquê.

Os números relacionados à violência contra as mulheres ainda são altíssimos, apesar de hoje, no Brasil, contarmos com a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) “considerada pela ONU uma das três leis mais avançadas de enfrentamento à violência contra as mulheres do mundo. A Lei Maria da Penha apresenta mais duas formas de violência – moral e patrimonial -, que, somadas às violências física, sexual e psicológica, totalizam as cinco formas de violência doméstica e familiar, conforme definidas em seu Artigo 7°.” (SENADO, 2018).

Segundo a Convenção de Belém do Pará, Capítulo I, Artigo 1°, a violência contra a mulher pode ser “qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada”.

Exatamente, hoje, se você acessar o site da Rede Globo, por exemplo, notará no TOP 5 das notícias gerais 2 posts sobre possíveis situações relacionadas à violência contra a mulher.

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Fonte: www.globo.com

Tão pior quanto tais situações, é ouvir as pessoas fazendo questionamentos e afirmações como: “Mas, também, olha o que ela fez?” ou “Ela o traiu!” ou “Foi um acidente.” ou “Ah! Mas essa é apenas uma versão!”, ou “Quem manda ela aceitar tal condição?”, ou “Apanha porque quer!” dentre tantas outras perguntas e comentários um tanto ousados e descabidos, sem olhar a profundeza das coisas, sem perceber que há um abalo psicológico por trás, ou medo, ou falta de informação, dentre outros fatores que também interferem e que, por muitas vezes, a vítima sozinha não sabe como sair dessa. Portanto apoio dos próximos e da sociedade, de modo geral, pode sim fazer a diferença!

Como explicar as manchetes a seguir? Detalhe. São manchetes de notícias dos últimos 30 dias. Sim! Apenas dos últimos 30 dias. Sem contar as não noticiadas, não registradas, não denunciadas, as que não tiveram como fim a morte, dentre outros.

 

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O Supremo Tribunal Federal decidiu, em 2012, que qualquer pessoa, além da vítima de violência, pode registrar ocorrência contra o agressor: “As denúncias podem ser feitas nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) ou através do Disque 180” (SENADO, 2018).

Em 2015, a Lei 13.104 (Lei nº 13.104, de 2015) alterou o Código Penal, de modo a prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio “e inclui o feminicídio no rol dos crimes hediondos. O feminicídio, então, passa a ser entendido como homicídio qualificado contra as mulheres “por razões da condição de sexo feminino”” (SENADO, 2018).

Desse modo, caro leitor, o que hoje quero chamar a sua atenção é para que não se omita, não acoberte, ajude e denuncie!

Acompanhe alguns testes de reações das pessoas perante simulações de violência:

 

Chega de acobertar seus entes “queridos”, seus familiares e amigos!

Chega de “esconder debaixo do tapete” as mazelas que acontecem inclusive na sua casa, na sua vizinhança, na sua igreja (pois é! Acontece nas igrejas e demais instituições religiosas e muitas vezes os líderes e os membros lutam pela reconciliação ou apenas oram, rezam, “entregam para Jesus”, lavam as mãos, ou ainda, em outras, aceitam porque é cultural, faz parte da religião, é um dogma, ou sei lá mais qual desculpa!).

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Captura de Tela 2018-07-25 às 13.01.41Fonte: Senado Federal

 

Tais índices só diminuirão quando a sociedade entender o seu papel e ajudar e, neste caso, “meter a colher” onde, para alguns, não seria devido.

 

Denuncie. Indique acompanhamento psicológico à vítima. Apoie. Ajude!

O mundo é perigoso não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa daqueles que veem e deixam o mal ser feito.

Albert Einstein

 

 

 

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