Mérito de quem?

Está em alta o uso da palavra meritocracia, afinal muitos querem uma sociedade de vencedores, vencedores por mérito próprio, típico de “um filho teu não foge à luta”. Realmente, é muito bom lutar por algo e alcançar, mas isso não condiz com “quem não vence é porque não lutou”.

Hoje, principalmente, na sociedade brasileira, destaca-se uma nova classe social: a do “novo rico”, isto é, aquele que ascendeu da pobreza para a classe média – só não entendo porque “média” se literalmente não está no “meio” quando pensamos em riquezas, privilégios e oportunidades.

Tanto essa nova classe, quando a do “rico que ficou ainda mais rico” tendem a defender a tal da meritocracia. E até compreendo, afinal eles “venceram” e querem valorizar suas vitórias defronte os “derrotados”.

Vale lembrar, porém, que muito além de mérito, devemos pensar que quanto mais vencedores, melhor será e que essa “superioridade” de uns ampliada pela “inferioridade” de outros é, por muitas vezes, consequência de oportunidades um dia recebidas, ou pelos famosos QIs (“quem indica”), ou pelo bolsa “papai e mamãe”, ou, mais além, pela presença do básico para viver: comida na mesa, um representante “espelho” na família (aquele suporte… alguns vem com kit completo, leia-se “família completa”), moradia adequada (que tal com acabamento, ou pelo menos um chãozinho cimentado e com teto?)…

Enfim, você sabe do que estou falando. Como afirmou Spartakus Santiago, “não existe meritocracia sem igualdade de privilégios”. Mas e então… todos possuem os mesmos privilégios? Aproveito para sugerir que você assista a um dos vídeos dele sobre o assunto: “Joaquim Barbosa e a meritocracia” (disponível em: https://youtu.be/PZwJFUwPYxQ).

Na mesma linha de raciocínio, Renato Meirelles em uma entrevista à TV Brasil (disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=t6uzxa-O2Fo) afirma: “só existe meritocracia com igualdade de oportunidades”. Agora como exigir méritos de quem mal tem oportunidade? Todos largam do mesmo ponto de partida? (Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=FqQOvHbpArk).

A juíza de Direito do Estado do Paraná, Fernanda Orsomarzo, explica a meritocracia, associando-a inicialmente à falsa ideia que todo sucesso de uma pessoa depende de si próprio. Para ela, o conceito de meritocracia está desvirtuado, ligado a uma ideia de extrema competitividade. Mas e os direitos? Onde estão? São os mesmos para todos? A seguir, destaco a análise da juíza. (Assista: https://www.youtube.com/watch?v=FqQOvHbpArk)

De maneira simples, em seu quadrinho intitulado “On a plate” (em português, “De bandeja”), o ilustrador australiano Toby Morris apresenta uma crítica ao conceito de meritocracia. A seguir, a tradução livre feita pela Catavento.

meritocracia 1meritocracia 2meritocracia 3meritocracia 4Fonte: https://www.revistaforum.com.br/quadrinho-desconstroi-o-conceito-de-meritocracia/

 

Pensar que as pessoas são diferentes, em contextos diferentes, alguns com mais privilégios, outros sem, pode facilitar…

Sugiro ampliarmos oportunidades de crescimento ao invés de apenas exigirmos méritos. Oportunizar, conceder direitos, pode ser um bom caminho ao invés de julgar e se impor.

 

3 comentários em “Mérito de quem?

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